A Marcha das Mulheres Indígenas fez Brasília pulsar

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Na semana em que o bolsonarismo rosnava na Esplanada, milhares de indígenas protestaram contra o Marco Temporal — e para reflorestar as mentes. À frente, mulheres chamavam à rebeldia e coragem: por justiça, liberdade e pela cura da terra

(Outras Palavras | 20/09/2021 | Por CFEMEA)

Como pensar um país que não valoriza sua ancestralidade, suas origens? Como pensar um país que invisibiliza de forma propositada e até vergonhosa uma ação potente e poderosa de milhares de mulheres indígenas? É possível pensar esse país, viver nesse país, mas é necessário, sobretudo nesses tempos, resistir nesse país. E resistir é a palavra de ordem há 521 anos para povos indígenas de todas as regiões desse Brasil, que lutam por sua existência, pelo direito humano de continuarem existindo, mesmo diante das ameaças, violências e atrocidades cotidianas.

(No momento em que esse texto é escrito, chega a informação de que o indígena Lourenço Rosemar Filho de Mello, do povo Karajá, foi morto por agentes policiais na aldeia Santa Isabel do Morro, localizada no Parque Indígena do Araguaia, na Ilha do Bananal, município de Lagoa da Confusão (TO). Lourenço, não apresentou rendição e mesmo assim foi assassinado a tiros em sua comunidade, na presença de crianças e familiares. A polícia federal adentrou à comunidade acompanhada de servidores da Funai – Fundação Nacional do Índio, órgão criado para proteção dos povos indígenas, mas que tem sob seu comando um ruralista, Marcelo Xavier, que assim como Bolsonaro atua diariamente com políticas anti-indígenas e pela institucionalização da violência contra esses povos).

A violência atroz, cruel e desumana é a realidade para os povos indígenas e é como o homem branco (como metáfora da “civilidade” ocidental) se relaciona com nossa ancestralidade, nossa origem de quem cuida pelo bem estar da natureza e do planeta. A violência constitui a formação da sociedade brasileira, fez parte de nossa história desde a chegada das caravelas portuguesas em nosso território e segue sendo a forma de controle sobre os copos divergentes – não brancos, não masculinos, não heterossexuais. É pela violência que se retirou direitos ao território dos povos originários; pela violência que milhões de africanas/os foram escravizados, apartados de suas famílias e trazidos às novas colônias americanas; foi a violência – sexual – contra os corpos das mulheres negras e indígenas instrumento de controle que permeou nossa história colonial no que as ativistas negras definiram como estupro colonial.

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