Mulheres negras usam programação para contar suas histórias e reduzir desigualdade da tecnologia

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(Yahoo Finanças  | 20/11/2021 / Por Daniela Arcanjo)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quando fez 15 anos, Aline Bezzoco trocou a tradicional festa de debutante por um computador. “Aquilo me abriu a mente”, afirma, ao descrever o momento em que começou a usar a ferramenta. Era o início dos anos 2000 e computadores pessoais começavam a se tornar mais populares nas lojas de eletrodomésticos.

Dali até realmente atuar na área, foram seis anos. Antes, cursou design gráfico mesmo com a impressão de que queria trabalhar com tecnologia, continuando os estudos que fazia no ensino médio técnico de informática. “Na época eu fui em umas feiras de universidade e não me senti representada. Eu só via homens brancos e me perguntava: ‘o que eu estou fazendo aqui?'”, conta Bezzoco.

Hoje ela é desenvolvedora front-end, ou seja, da interface de uma página web, a parte que os usuários veem e com que interagem. Em um projeto de 2018, criou uma ferramenta que conta a história de mulheres negras: o Black Women History, uma API (Interface de programação de aplicações, na sigla em inglês), um código de programação que facilita a integração entre plataformas.

Por meio do seu projeto, é possível saber que Mariana Crioula “foi líder de uma das maiores revoltas de escravos no Rio de Janeiro”, que Laudelina de Campos Melo foi a “fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil” e que Rebeca Andrade foi “a primeira mulher brasileira a vencer duas provas na mesma edição” das Olimpíadas.

O espaço para contribuições como essa, no entanto, ainda é reduzido. Levantamento sobre profissionais de tecnologia PretaLab, feito entre os meses de novembro de 2018 e março de 2019, mostra uma realidade desigual. Homens representavam 68% da força de trabalho no setor, e brancos, 58,3%, e não há levantamentos mais recentes sinalizando alguma mudança radical nesse quadro.

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