Interditada, Casa Mulher Brasileira do DF deixou de atender mais de 3 mil

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Sindicato lançará movimento em defesa da instituição nesta segunda-feira (10)

(Jornal de Brasília, 09/12/2018 – acesse no site de origem)

Interditada desde abril deste ano, a Casa da Mulher Brasileira (CMB), na 601 Norte, deixou de atender a mais de 3 mil mulheres vítima de violência. A conta é do Sindicato dos
Servidores da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc), que lançará, nesta segunda-feira (10), um movimento em defesa da instituição para sensibilizar autoridades e
sociedade para reabertura da unidade.

Segundo o Sindasc, o documento reforça a importância da CMB e denuncia que a estrutura e parcerias necessárias para atendimento integral nunca foram seguidas na gestão do
equipamento social. “Manifestamos nossa indignação com tal falta de respeito com as mulheres que necessitam de atendimento, uma vez que a diretriz da CMB nos reporta a
prestar um pronto atendimento qualificado à mulher em situação de violência. A ideia é que a unidade seja espaço do primeiro atendimento após a violência sofrida”, diz um
trecho do documento.

Presidente do Sindsasc, Clayton Avelar acredita que a reabertura é urgente devido aos altos índices de feminicídio no DF. “Em muitos casos de emergência, mulheres vítimas de
violência não têm onde passar a noite e essa é uma das funções da CMB. Para poder funcionar 24 horas por dia, são necessários mais servidores. O concurso da Sedestmidh
(Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos) tem papel fundamental nessa questão, afirma.

O ato vai acontecer às 19h na sede da Legião da Boa Vontade (LBV), Sala Portugal, em conjunto conjunta com o Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) e a Central de
Movimentos Populares (CMP).

Interdição do prédio
A interdição ocorreu devido a problemas estruturais. Na época, a Secretaria Adjunta de Política para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, da Sedestmidh,
informou a suspensão de todos os serviços seria temporária.

O espaço, especializado no atendimento a mulher, é novo – inaugurado em 2015. Apesar disso, uma vistoria feita pela Fundações e Recuperação de Estruturas (FUNDEX),
empresa contratada pelo Banco do Brasil para a verificação, constatou algumas patologias e por isso emitiu um relatório em que pede a “desocupação total do empreendimento”.

Inaugurado em 2015, o prédio foi interditado outras duas vezes. Em 2016, a interdição ocorreu devido a um afundamento no piso e, no mesmo ano, o teto de salas do prédio
desabou e paredes ficaram rachadas após tempestades.

Saiba mais
» A Casa da Mulher Brasileira, desde sua inauguração em 2015, é considerada uma inovação no atendimento humanizado às mulheres, integrando no mesmo espaço serviços
especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres.
» Há o acolhimento, triagem e o apoio psicossocial. Ainda existe uma Delegacia de Atendimento à Mulher, o Juizado Especializado de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher, e a Promotoria Pública Especializada da Mulher, Defensoria Pública Especializada da Mulher; Lá, também era feito um trabalho de promoção de autonomia econômica,
cuidado das crianças – brinquedoteca; alojamento de passagem e central de transportes.

 

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