Campanha #NãoEraCarinho conscientiza sobre violência sexual nas redes sociais

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Números mostram que a violência acontece, principalmente, em casa e por autores familiares ou conhecidos

(Brasil de Fato | 14/06/2021 | Por Júlia Vasconcelos e Iyalê Tahyrine | Acesse a matéria no site de origem)

Com atuação no Brasil há pouco mais de 30 anos, o Grupo Curumim é uma organização não-governamental feminista e antirracista que fortalece a cidadania das mulheres, através da promoção dos direitos humanos, da saúde integral e dos direitos sexuais e reprodutivos.

A organização lançou a campanha #NãoEraCarinho nas redes sociais, para dar visibilidade à questão da violência sexual doméstica contra meninas e adolescentes. O Brasil de Fato Pernambuco entrevistou Sueli Valongueiro, integrante do Grupo Curumim, para saber mais sobre as motivações e ações da iniciativa.

O início

A Campanha surge pela urgência de agir sobre os altos índices de violência doméstica contra meninas. Ao receber os dados do Fórum de Segurança Pública, a organização viu que os números eram “absurdos”, comenta Sueli. Os dados referentes aos estupros chamou ainda mais atenção. “Hoje um estupro acontece no Brasil a cada oito minutos”, conta.

Segundo dados do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 2020, com dados referentes à 2019, foram 66.123 vítimas de estupro e estupro de vulnerável no ano. Dessas, 57,9% tinham no máximo 13 anos e a maior parte, 85,7%, era do sexo feminino. Além disso, em 84,1% dos casos o autor da violência era conhecido da vítima, o que aponta para uma violência intrafamiliar em que as crianças e adolescentes são vítimas de familiares ou pessoas de confiança da família.

Com esses dados em mente, a Campanha se desenhou voltada para o principal público: as meninas. “A gente já não ficava caladas diante desses números”, explica Sueli. Após a pandemia, o fato das meninas passarem a ficar mais tempo em casa foi outro impulso. “Esse era um sinal para dizer que essas meninas estavam mais vulneráveis ainda pelo tempo que estavam expostas dentro de casa.”

Ela ainda traz como informação uma pequena redução no número de denúncias no Disk Denúncias de 2019 para 2020. “Isso a gente pode inferir que foi em parte porque as meninas têm mais dificuldades de fazer a denúncia dentro da própria casa. Então, vamos até elas através das redes sociais”, diz.

#NãoEraCarinho: a Campanha

Através do Instagram, a organização começou a realizar publicações de conscientização sobre o tema, com dados e orientações sobre como agir em determinadas situações: como identificar os sinais das crianças que estão sofrendo com violência sexual, as principais mudanças de comportamento, como ajudar e com quem falar, por exemplo.

“Nós também queremos falar de assédio, daquelas carícias não desejadas, do uso da linguagem erotizada, material pornográfico, tudo isso faz parte da violência”, afirma Sueli ao contar que o estupro é a violência máxima, mas que há diversas formas de violência sexual.

Um ponto importante da Campanha é também alertar essas meninas como um adulto pode tocar essa criança. “Uma coisa é um pai dar um banho em uma menina, fazer o cuidado. Outra coisa é manipular a menina. Ela tem que entender qual é a diferença de uma coisa para outra”, enfatiza.

Denuncie

Para denunciar, qualquer um pode ligar para o Disque 100, através de qualquer aparelho. O Grupo Curumim também disponibiliza uma linha direta, chamada “Vera”, através do Whatsapp, pelo número (81) 98580-7506 de segunda a sexta, das 14h às 18h, onde as vítimas podem mandar mensagem para tirar dúvidas ou pedir ajuda.

A campanha nas redes sociais ainda segue até o dia 19 de junho. A partir desta data, materiais impressos serão divulgados, como panfletos, cartazes e adesivos, que serão enviados para serviços de saúde, educação, assistência psicológica e demais serviços que fazem assistência à essas crianças. Para julho, a perspectiva é fazer seminários e rodas de debates sobre o tema.

Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Monyse Ravena

Acesse a matéria no site de origem

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